Aumenta a fome no mundo

A Rede Mundial contra as Crises Alimentares, composta por organismos internacionais voltados à luta contra a fome no mundo, informa que no ano de 2019 cerca de 120 milhões de pessoas estavam em situação de “inseguridade alimentar”, ou seja, sujeitas à fome.

Esse número é o mais alto dos últimos quatro anos, desde quando a Rede foi criada. Isso se deve a conflitos armados, eventos meteorológicos extremos e crises econômicas. A pandemia do coronavírus pode elevar esse número a cerca de 265 milhões, em função da provável queda da produção de alimentos e do volume de recursos destinados aos programas humanitários.

A situação é mais grave no Iêmen (15,9 milhões de pessoas afetadas), República Democrática do Congo (15,6 milhões), Afeganistão (11,3 milhões) e Venezuela (9,5 milhões).

Acredita-se que 75 milhões de crianças terão problemas de crescimento devido à fome. São especialmente vulneráveis os desabrigados e refugiados por diversas razões, que são quase 80 milhões.

Dos países mais ligados ao Brasil, o Haiti, em infindável crise política e econômica, tem 3,7 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar. Os 9,5 milhões de venezuelanos veem os preços do petróleo, seu principal produto de exportação, caindo vertiginosamente; isso, aliado à interminável crise política, faz com que a situação ali tenda a agravar-se ainda mais.

É um quadro doloroso, mas que pode se configurar em uma boa oportunidade para o Brasil – afinal, somos grandes produtores de alimentos. De qualquer forma, isso é algo com que devemos nos preocupar seriamente.

Vivaldo José Breternitz é doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, professor de Planejamento Estratégico e Sistemas Integrados de Gestão da Faculdade de Computação e Informática da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *