Edvaldo: “Enquanto a oposição pensa em eleição, eu me preocupo em salvar vidas”

O prefeito Edvaldo Nogueira reagiu, de forma dura, às críticas da oposição em relação ao Hospital de Campanha, construído pela Prefeitura de Aracaju para atender pacientes com coronavírus. Em entrevista à rádio Fan FM, nesta segunda-feira, 8, ele declarou que seus opositores “só pensam em eleição e em voto”, mesmo durante a pandemia. “Estou preocupado em salvar vidas e com as gerações futuras”, ressaltou. Para Edvaldo, este posicionamento da oposição é um “desserviço à população”. “O hospital nos dá segurança de garantir um bom atendimento, em proteger vidas. Temos focado 24 horas nisso”, disse ele, refutando qualquer possibilidade de discutir questões eleitorais neste momento.

Ao defender a seriedade da contratação da empresa responsável pela estrutura do HCamp, o prefeito disse que todo o processo se deu de forma “transparente”, com o acompanhamento do Ministério Público Estadual e o Tribunal de Contas do Estado que, após inspeção nos contratos, não identificaram irregularidades, o que reforça que as denúncias feitas pela oposição não encontram respaldo na realidade. “Estamos vivendo um momento grave e ao invés das pessoas pensarem em se unir, estão pensando em política. Enquanto a oposição pensa em eleição e em voto, eu penso em salvar vidas e nas gerações futuras. Tenho focado 24 horas no combate a essa pandemia para que possamos atender com dignidade àqueles que chegarem às unidades de saúde”, afirmou.

Edvaldo destacou que o Hospital de Campanha possui 152 leitos, sendo que 60 já se encontram em funcionamento com uma equipe preparada para atender aos pacientes. “Tem sido muito importante para a retaguarda e estabilização. Prova disso é que já recebemos 53 pacientes. O hospital nos dá segurança de garantir um bom atendimento”, disse. Neste sentido, afirmou o prefeito, “nossa atuação no combate ao coronavírus tem sido muito positiva”. “Mesmo com número elevado de casos confirmados, o nosso trabalho tem possibilitado que a cidade responda bem, diferentemente de outras capitais que já tiveram o sistema de saúde perto do colapso. E como temos feito isso? Com planejamento e com base na ciência”, reiterou.

As ações

De maneira cronológica, Edvaldo listou as ações colocadas em prática, desde fevereiro, a começar pela elaboração de um Plano de Contingência, definido por ele, como fundamental para nortear o trabalho da Prefeitura. “Nosso primeiro passo foi construir um plano que pudesse nos dar direção, especialmente por ser uma doença nova, ainda desconhecida por todos. A partir daí, começamos a agir. Já no dia 2 de março apresentamos o plano e no 15 suspendemos toda a programação do aniversário da cidade. No dia 16 fomos uma das primeiras cidades a decretar o isolamento social. Logo na sequência, estabelecemos oito unidades de saúde exclusivas para o atendimento de síndromes gripais, evitando que as pessoas suspeitas tivessem contato com os demais pacientes, e, ao mesmo tempo, demos início a preparação dos leitos de retaguarda e de estabilização”, expôs.

O prefeito prosseguiu: “Ao mesmo tempo, passamos a atuar em várias frentes. Adquirimos antecipadamente equipamentos de proteção individual para os profissionais de saúde, passamos a desinfetar áreas públicas com hipoclorito de sódio, realizamos um trabalho de conscientização dos aracajuanos, distribuímos máscaras nos terminais de integração, passamos a entregar mensalmente kit de alimentação para os 32 mil alunos da rede municipal, já distribuímos mais de 5 mil cestas básicas para quem está enfrentando dificuldades e construímos o Hospital de Campanha, com 152 leitos”. Edvaldo também reforçou que “todas as decisões tomadas até aqui foram pautadas na ciência e em dados técnicos”. “Por isso nos reunimos periodicamente com entidades de saúde e com professores da Universidade Federal de Sergipe, grandes colaboradores da Prefeitura nesse combate”, completou.

Ao destacar a importância das parcerias, Edvaldo também explicou como tem se dado o trabalho em conjunto com o Governo do Estado para a estruturação da rede de saúde pública e ampliação dos leitos. “Enquanto a Prefeitura tem trabalhado para ampliar os leitos de retaguarda e de estabilização, que são para baixa e média complexidade, o Estado tem trabalhado para garantir mais leitos de Unidade de Terapia Intensiva, que são para alta complexidade.  Hoje, estamos com 130 leitos de retaguarda, de responsabilidade da PMA,  e 125 de UTI, regulados pelo Estado, o que é um grande avanço”, destacou.

Ainda sobre o assunto, o prefeito reforçou que “Estado e Município estão seguindo um protocolo de regulação, estabelecido desde 2014”. “Estamos cumprindo com o que foi estabelecido à época, de que toda a regulação de UTI é de responsabilidade do Governo do Estado. Foi justamente por esse motivo que conseguimos 14 leitos de UTI no Hospital Universitário e transferimos para o Estado, para que ele regulasse. Toda a conversa que tenho tido com o governador tem sido no sentido desse trabalho parceiro, em conjunto, para que possamos, inclusive, encontrar formas de manter essa estrutura que está sendo montada posteriormente, para que a população possa ter uma saúde ainda melhor. Por isso, aproveito para parabenizar o governador Belivaldo Chagas pelo trabalho que tem sido feito, mesmo com todas as dificuldades, para ampliação dos leitos de UTI”, afirmou.

 

Isolamento social

Outro ponto abordado durante a entrevista foi a importância do isolamento social para o combate ao coronavírus. O prefeito ressaltou que a adoção da medida, de maneira antecipada, foi crucial para o bom desempenho da cidade, até o momento, no enfrentamento à covid-19, mas lembrou que “o problema não está resolvido” e restringir a circulação de pessoas pela cidade ainda se faz necessário. O gestor demonstrou ainda preocupação com os baixos índices de isolamento registrados na capital e salientou que a resistência de parte da população tem mantido Aracaju na fase de ‘Alerta II’, conforme o “Protocolo para regulação da atividade econômica e circulação de pessoas”, documento com orientações técnicas em relação à covid-19 elaborado pela gestão municipal.

“Aracaju continua em Alerta II, com o crescimento de casos e isso me preocupa porque a nossa taxa de ocupação de toda a rede de saúde está em 78%. Não é fácil se manter em isolamento social, mas a população precisa entender essa necessidade. Nenhum governante, prefeito, adotaria essa medida restritiva se existisse outro caminho. Muitas pessoas estão se tratando em casa, como foi o meu caso, mas existe uma parcela da população que precisa de internamento e outra parte que necessita de UTI. É evidente que temos muitas pessoas recuperadas, o que temos que comemorar, mas temos muitos contaminados também e precisamos enfrentar a complexidade com trabalho e dedicação de todas as partes”, justificou.

Sobre uma possível flexibilização, o prefeito  ponderou que ainda não é momento para tal medida e que, quando for possível, ela acontecerá de forma “lenta e gradual”. “O governo vai anunciar hoje novas medidas, mas acredito que, em Aracaju, ainda não é possível, justamente pelo baixo índice de isolamento e pelo crescimento de casos, que chegou a 12% na semana passada. Abrir, imediatamente, ainda não dá. Temos que avaliar esta semana para ver como se comporta a curva e mais para frente verificar como será a reabertura. Mas quero deixar claro que todas as decisões serão tomadas com base na ciência, como tem sido feito até agora. Já enviamos o nosso protocolo para todas as entidades e temos critérios a serem avaliados, assim como é o caso do Governo, uma vez que nossos planos são muito parecidos. Vamos analisar ponto a ponto. No momento, não há possibilidade de lockdown, mas até essa decisão vai depender do comportamento daqui para frente. Vamos buscar a melhor forma, sem politizar”, frisou.

Na entrevista, o prefeito voltou a pedir união de esforços para o combate ao coronavírus. “É hora de união, de pensar em quem está doente, em quem está sofrendo financeiramente, mas para isso, é preciso que as pessoas desçam de seus pedestais, parem de pensar em si. Precisamos nos unir, trabalhar conjuntamente. O coronavírus não escolhe cor, ideologia, religião, sexo, nem classe social. Tem pessoas que passam o dia falando sobre a atuação dos outros, mas são incapazes de agir pela coletividade. E isso é fundamental. É hora de darmos as mãos”, enfatizou.

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