Ancelotti promete Brasil diferente contra o Haiti

Com o rosto denunciando os treinos intensos no verão norte-americano, Ancelotti tentava mostrar descontração. Mas nos pequenos gestos denunciava a tensão da obrigação pela vitória hoje, contra o Haiti, depois do empate contra Marrocos.

“Tenho experiência para lidar com a pressão. O resultado não foi bom e isso nos deixa um pouco críticos em relação à equipe, mas precisamos fazer uma crítica construtiva e positiva. Foi apenas o primeiro jogo.

“A Copa do Mundo não se ganha na estreia. Temos que buscar soluções. Trabalhamos nesses dias para tentar solucionar isso”, disse, deixando nas entrelinhas, o que fez.

Ancelotti fará mudanças significativas na equipe.

“Mudei a equipe no fim do primeiro tempo e podemos fazer fazer algumas mudanças para ter jogadores mais frescos. Não são mudanças apenas para melhorar o jogo, mas para buscar mais equilíbrio.

“Precisamos errar menos passes. Temos qualidade para fazer isso. Será um jogo intenso, contra jogadores do Haiti de qualidade, fortes e potentes. O pensamento da equipe é evoluir ainda mais”.

Ibañez deixará a equipe titular de vez. Danilo entrará na lateral. Paquetá também deverá perder seu lugar para Luiz Henrique.

Para fazer o Brasil voltar a ser Brasil nesta Copa, amanhã, às 20h30, no Lincoln Financial Field, aqui, na Filadélfia, o treinador apostará em quatro atacantes.

Pelo menos foi o time que mais treinou em New Jersey. Ele exigirá que Douglas Santos seja mais ofensivo, e que o Brasil seja mais agudo, dando apoio maior a Vinicius Júnior.

O técnico italiano acompanhou todas as informações sobre o Haiti. E apostará na velocidade e na técnica dos brasileiros diante da força física do time da Concacaf, que volta a uma Copa do Mundo depois de 1974.

Aliás, Ancelotti espera esse confronto.

O técnico do Haiti, Sébastien Migné, deverá montar sua equipe no 5-4-1. Ou seja, tentando tirar todo o espaço principalmente da intermediária.

Ancelotti deve dar uma nova chance a seu jogador de confiança, Casemiro.

Ele foi muito mal diante Marrocos, tomou cartão amarelo, mas o italiano fez dele seu líder, desde os tempos do Real Madrid. A grande mudança será no auxílio dos outros jogadores.

Ancelotti quer o Brasil se impondo mas sendo uma equipe bem mais coletiva. Daí Bruno Guimarães e e Casemiro terem o auxílio, quando o Haiti tiver a bola, de Matheus Cunha, atuando como no Manchester United.

Mas Fabinho, que foi muito bem diante dos marroquinos, está de sobreaviso.

A aposta em Luiz Henrique frustrou muitos jornalistas, aqui nos Estados Unidos.

O desejo generalizado é que ele apostasse em Endrick, que os próprios jogadores queriam a escalação.

Mas Ancelotti usou a sua experiência para mostrar quem é que manda. Ele segue sua tese que o jovem atacante de 19 anos é indisciplinado taticamente.

“Endrick é um talento extraordinário. O Brasil vai aproveitar suas qualidades nesta Copa e também na próxima Copa do Mundo.

“Ele é paciente, não tem pressa e é muito maduro para a idade. Esse é um aspecto muito importante.

“Além disso, a família está muito próxima dele, o que é fundamental para um jovem. Vamos esperar o momento correto, porque ele será importante.”

Há a certeza que Endrick entrará na partida. Mas no decorrer do jogo. Não começando o confronto importante.

Mas será no esquema ousado, aberto com a bola nos pés, que o italiano aposta no Brasil buscando ser o Brasil. Em um ousado 4-2-4.

O Brasil terá muito apoio nas arquibancadas. As ruas da Filadélfia estão lotadas de homens e mulheres vestidos com a camisa amarela.

Os sorrisos de Ancelotti na coletiva de hoje escondem a preocupação.

Ele sabe que não teve tempo suficiente para montar uma equipe confiável, competitiva. Busca encurtar o tempo com treinos fortes que surpreenderam os próprios jogadores da Seleção, que vieram de final de temporada europeia.

Mas a cobrança para quem aceita ser treinador do Brasil sempre foi intensa, fortíssima.

Ainda mais ele, que é o primeiro estrangeiro a ter a coragem de comandar a Seleção em uma Copa do Mundo.

Não há outra saída a não ser buscar fazer o Brasil ser o Brasil.

Ainda mais uma equipe sem tradição, com jogadores muito mais limitados.

Ancelotti é pragmático.

Foi assim que ganhou cinco Champions League.

Mas comandando a Seleção contra o Haiti, ele não tem outra saída.

A não ser colocar o Brasil no ataque.

Mesmo com muitas pessoas suspirando de saudades de Neymar.

O brasileiro de maior talento segue em New Jersey, enquanto todo o time estará aqui, na Filadelfia.

Ele segue o tratamento para tentar ajudar o Brasil nesta Copa do Mundo.

Está difícil.

De longe, a ele só resta torcer para o time escolhido por Ancelotti.

Alisson, Danilo, Marquinhos, Gabriel Magalhães e Douglas Santos; Casemiro e Bruno Guimarães; Luiz Henrique, Raphinha, Matheus Cunha e Vinicius Júnior

 

 

R7